Aconchego felino

Ultimamente, tenho acordado triste.

Parece-me cada vez mais difícil conseguir manter uma certa dose de contentamento neste mundo doido em que vivemos; um mundo cheio de sofrimento, de injustiça, de abandono, de angústia, de alheamento, de desequilíbrio, de violência, de medo!…

Podia esmiuçar detalhadamente cada um destes aspectos, dando exemplos concretos, mas deixo isso a vosso cargo e não é preciso muito para o fazer: basta ligar a televisão ou o rádio e ouvir meia dúzia de notícias, basta ler a primeira página dos jornais nacionais generalistas… Para mim, além disso, basta abrir a minha caixa de correio electrónica ou o meu perfil no facebook – como parte integrante dos que se batem pelos direitos animais, entre outras causas humanitárias a que não sou alheia, é muito fácil ficar triste com a maioria dos emails e posts a que tenho acesso.

Mas acredito que há sempre escolha! Podemos escolher afundar-nos nestes pequenos grandes dramas ou podemos aproveitar todos os sentimentos e sensações daí resultantes para algo útil. 

À parte de acções concretas de sensibilização, hoje resolvi direccionar a tristeza para um novo projecto criativo, aproveitando uma t-shirt praticamente nova que tinha cá por casa há já alguns anos. O bordado numa qualquer língua estranha e aplicação abstrata impediram-me de a utilizar, no receio de deitar por terra algum sentido estético que a minha pessoa possa possuir.

Inicialmente, a t-shirt tinha umas letras bordadas e uma aplicação de brilhantes

O algodão é de excelente qualidade e seria uma pena desperdiçar a peça, pelo que peguei nas minhas tristezas, inconformismos e sentimentos de impotência e dei-lhe(s) uma cara nova. 

Antes de mais, e mudando um pouco de assunto, deixem-me confessar-vos uma coisa: tenho uma forma um pouco… não sei se infantil será a palavra correcta… ingénua talvez… (não, não me obriguem a dizer ridícula: provavelmente a palavra ideal, tendo em conta que sou uma mulher de 34 anos, supostamente equilibrada e sã!) de procurar um pouco de aconchego interior quando estou num naqueles estados de espírito escuros e frios. Ora cá vai: imagino-me rodeada por centenas de gatos macios e fofos, cujas patitas sedosas me massajam ‘non stop’, pisando as minhas fragilidades, com o dom de as transformar em bem aventurança. Pronto, confissão feita e adiante!

 Pois se estes meus dias têm sido algo ‘escuros e frios’, podem imaginar a quantidade de vezes que tenho recorrido ao meu cenário caloroso e felino. Tantas que resolvi passar da imaginação à realidade e, na impossibilidade de ter pelo menos uma centena de patas a fazer-me companhia – até porque me parece que tanto o Fred como o Gaspar não iam gostar da concorrência! -, reduzi o número para duas; duas patas que passaram pela t-shirt cinzenta e se foram, deixando marcas de delicioso aconchego felino: 

Depois do aconchego felino :O)

O trabalho foi feito com a técnica de arte aplicada, com entretela termocolante e acabamento bordado a linha – que pode ser feito na máquina ou à mão. Ahhh, tenho de dizer que comecei por desfazer as letras bordadas com a ajuda de uma tesoura; a aplicação continua lá, por baixo da ‘pegada’ superior, pois foi-me impossível tirá-la.  

E, na verdade, nada como umas horas de trabalho prazeiroso para espantar más energias. Quando acordarem tristes, experimentem… e podem recorrer ao meu cenário felino; há aconchego e patas que cheguem para todas as tristezas do mundo e arredores ;O)

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